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tá tão difícil né? Continuar fingindo que não tem nada acontecendo, sorrisos falsos, doi tanto. Eu nunca senti que ser eu poderia ser tão difícil, eu tenho que vencer tudo e todos na minha frente todos os dias; cansa, exausta a alma.
-260 kcal em exercícios
- 100 polichinelos
- 90 abdominais
- 80 agachamentos
- 70 levantamentos laterais de pernas
- 60 polichinelos
- 50 abdominais
- 40 agachamentos
- 30 levantamentos laterais de pernas
- 20 polichinelos
- 10 minutos de corrida
Important
1200 calories a day -> - 0.3 - 0.7 kg a week
800 calories a day -> - 0.7 - 1.4 kg a week
500 calories a day -> - 1.5 - 2.5 kg a week
For all of our non metric friends:
1200 calories a day -> - 0.6 - 1.5 lbs a week
800 calories a day -> - 1.5 - 3.1 lbs a week
500 calories a day-> - 3.3 - 5.5 lbs a week
This is actually really helpful
So sorry if I reblog this every 5 minutes
Hoje minha mãe encontrou minha carta de despedida
Ontem foi a primeira vez, em quase dez anos com essa ideia em mente, que terminei uma carta de suicídio. Terminei à noite, antes de dormir, e como sempre tenho minhas coisas cavucadas pela minha mãe (procurando indícios de que eu tenha tido uma compulsão e comido coisas nas quais ela tenha investido o dinheiro dela, visto que sempre acabo por esconder embalagens de comida por ela sempre olhar até nos lixos de casa), escondi atrás de um sofá que fica rente à parede (caso restasse alguma dúvida de minha falta de privacidade, eis que nem este lugar estava “à salvo”).
Hoje acordei sobre os sermões de como sou uma vagabunda, que se tivesse trabalhando não ficaria focando em merda, que todo mundo tem problemas, de que me sinto muito especial, de que eu sou uma preguiçosa, de que eu deveria ser mais humilde e parar de pensar que sou rica para não estar trabalhando, de que eu deveria me esforçar pqe depressão é doença de quem não tem coragem, de quem não se esforça, de que eu deveria “parar de esperar o Napoleao parar com o cavalo branco para te salvar”.
Me virei, servi um pouco do café que já estava frio, tomei um gole, e comecei a lavar a louça enquanto ela falava, martelava a minha culpa, intercalando com longas pausas que fazia para digitar mensagens no telefone.
Mais algumas palavras discursadas e ela, que estava há minutos de sair para o trabalho, foi escovar os dentes, deixando o telefone sobre a mesa. Enquanto engolia uma bolacha água a sal à seco, que se arrastava rasgando garganta adentro, fingindo não estar sem chão pela descoberta, o telefone vibrou chacoalhando a mesa como se estivesse zangado. Eu (que sempre tive meus erros compartilhados por ela com gente que sequer conversou comigo me considerando enquanto indivíduo) sabia que a cada pausa naquele sermão de minutos antes, ela digitava mensagens cujo assunto era a exposição de mais essa cagada minha. No impulso de ter a minima noção doq me dizia respeito, tomei o telefone e li a mensagem de whatssap em pop-up, logo abaixo da pequena foto de minha irmã congelada na tela “Está querendo chamar atenção, vivesse da forma certa…”, reticências exigindo que o celular fosse desbloqueado para revelar os demais segredos. Fosse esse segredo protegido pela senha apenas mais duas palavras, fossem cem, fosse mais mensagens de outras pessoas que jamais saberei que sabem de coisas tão íntimas sobre mim: precisaria de mais? Essas pequenas frases incompletas Bastam. Coloquei o celular na mesma posição de antes, joguei o café na pia.
Sou um monstro. Eu minto, eu finjo, eu vomito a comida que minha mãe compra. Não tenho nenhum amigo porque me afastei de todo mundo por vergonha de ser essa pessoa que não evolui, para não ter que passar pela humilhação de conversar com alguém e revelar que eu não fiz NADA de legal ou importante a minha vida inteira. Tenho 22 anos e estou longe de terminar a graduação, desempregada, sequer consigo sair de casa sem sentir que TODOS estão me avaliando, “Lá vai a vagabunda” “cada dia mais gorda” “esquisita” “encostada” “desengonçada” “favelada” “ridícula”. Uma hora em frente ao espelho, me arrumando para tentar não parecer esse resto que sou, meia hora maquiando, criando uma máscara para conseguir sair de casa sem sentir que me olham como se eu fosse inferior à todo mundo. Fingindo que não sou inferior à todo mundo.
Estou enfiada em casa há duas semanas, sem coragem de fazer nada, definhando, derrotada, incapaz, inútil, imunda, horrorosa, imensa. Só gastando energia elétrica, comendo, dormindo, decepcionando minha mãe e irmã, causando vergonha, repulsa, desgosto, raiva, desprezo.
É uma culpa insuportável. Eu só queria desaparecer.
Não sei se tenho a força para encarar a humilhação de estar rodeada de pessoas que me acham uma estúpida mimada a mal agradecida. Não sei se tenho força conviver com pessoas que me sentem tanto desgosto de mim e sei que tenho culpa por ser tão desprezível.
Eu sou esse tipo de pessoa que é odiada pela própria família. Pelas unicas pessoas com quem eu ainda tenho contato.
Com que força vou encarar meu pai, este homem que não me conhece e que eu não conheço, mas que sempre é chamado para “conversar” comigo quando minha mãe não sabe mais oq fazer?
Onde encontrar forças para me manter firme quando minha irmã e minha mãe conversam sobre o quão decepcionante e enervante é conviver com um monstro como eu?
Onde encontrarei forças para encontrar com outras pessoas ou sair de casa me sentindo exposta e humilhada pela reprovação do mundo, para encarar a paranoia que é sentir que todo mundo agora sabe que sou uma “merda de uma suicida”, uma “mal agradecida” uma “dramática”, “uma pessoa que gosta de chamar atenção”
Se tem dias que sequer tenho forças para levantar da cama.
Durante anos eu procurei por razões para viver, mas nada mais tem importância.
Agora nem mesmo consigo encontrar uma razão que responda o por que não me matei ainda.
